115 anos da Tribuna

Por: Joaquim Eloy dos Santos - Escritor

2 meses atrás


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A repórter Luana Motta marcou uma entrevista comigo para dizer algo sobre a Literatura e as Artes em geral nas páginas deste magnífico jornal diário, registro que acompanho desde os meus dez anos de idade, quando a Tribuna publicou um pequeno artigo meu na edição de 15 de novembro de 1945. Texto simples, de um menino de sonhos patrióticos auridos no ótimo curso primário que completara no Grupo Escolar D. Pedro II e pelo exemplo, no lar, de meus queridos progenitores, minha mãe Maninha e meu pai Joaquim Heleodoro Gomes dos Santos.

A competente repórter conseguiu captar, com fidelidade, as minhas afirmativas e foi buscar o meu primeiro artigo publicado pela imprensa, nas páginas da coleção da Tribuna. Ela percebeu a minha emoção ao remontar e recordar acontecimentos de um passado de luta e coragem, de grandes desafios, quando vivi meus melhores dias na busca de meu espaço e no esforço de aproximar meus sonhos à realidade nem sempre roseada em cor e perfume.

Falamos de cultura e do papel da Tribuna de Petrópolis como agente de divulgação, incentivo e apoio aos literatos, tanto os autóctones quanto as personalidades da vida nacional que veraneavam na Cidade de Pedro. As páginas do matutino diário reservavam espaços para as colaborações de escritores, poetas, historiadores, cronistas, articulistas, chargistas, enfim, colunas de sadia democracia, mesmo em tempos difíceis de políticas endurecidas, sofrendo rasgos das tesouras da intolerância. Eras propícias ao desenvolvimento das metáforas, exercícios inteligentes que confundiam algumas mentes obtusas e explodiam em cacos contundentes o precário raciocínio de muitos agentes do caos. Em nossos dias a página “Opinião” atesta o compromisso da Tribuna com um jornalismo eclético, sem censura e atualizado.

Na Tribuna mantive colunas fixas, como “Cinema”, onde comentava os filmes em exibição nos cinemas Petrópolis, Capitólio, D. Pedro e Santa Cecília; “Teatro, Artes e outras coisas”, divulgando o teatro que o TEP (Teatro Experimental Petropolitano), o Mariano e quantos outros grupos montavam no Município; “Patinando” com notícias e fofocas do hóquei sobre patins; “Notícias da Academia”, sobre a nossa querida Academia Petropolitana de Letras, mantida hoje pela atual direção; “Coluna do Serrano F.C.”, divulgando as atividades do clube mais querido, recebia apoio e incentivo dos jornalistas Guillherme Auler, Alcindo Roberto Gomes, Darcy Paim de Carvalho, desportistas Moacyr Miranda e Helio Santos, militantes do teatro: Paulo Gomes dos Santos, Walter Borges, Scheller, Alcides Carnevalli... Enfim, ninguém caminha sozinho.

A Tribuna divulgou ensaios meus, longos, em capítulos diários e manteve uma coluna do Instituto Histórico de Petrópolis, coordenada por Raul Lopes e na qual publiquei muitos artigos e ilustrações, hoje retomada na administração de Maria de Fátima Moraes Argon da Matta.

E tive a primazia de estar junto ao grande jornalista e personagem marcante de nossa história, Sylvio de Carvalho, em algumas edições históricas, coloridas e ilustradas, sobre nossa Petrópolis, em momentos especiais comemorativos, edições hoje guardadas por colecionadores.

Relembro feitos pessoais para reforçar todo o conteúdo da entrevista publicada na edição de 8 do corrente e recordar a presença sempre viva e incentivadora de personalidades que ajudaram em minha caminhada, claro que traido pela emoção acumulada em muitos e muitos escaninhos de minha memória sob a pressão da ferrugem que abre sulcos nas páginas do passado.

Para a Tribuna o meu agradecimento pelo convívio que ultrapassa mais de meio século, bem mais, precisamente 72 anos desde aquela crônica publicada no dia 15 de novembro de 1945 pelo menino sonhador de 10 anos de ousadia que sua timidez natural escondia.

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