Orgulho é preconceito

Por: João Roberto Gullino - Honorário da APL

Quinta Feira, 13 de Abril de 2017


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Cada palavra tem seu peso e sua peculiaridade. Algumas são pesadas e outras mais leves e suaves, não pelo seu significado, mas por sua forma, como “saudade e esperança”, mas outras que, apesar de leves, se tornam pesadas para se carregar como já escrevi uma crônica sobre a palavra “verdade” que, mesmo muito pura, torna-se pesada por provocar arrepios à muita gente – tal como “honra”. E falar de outras palavras seria cansativo mas tem uma que sinto até dificuldade de pronunciar (tem-se que fazer biquinho) apesar de seu significado profundo – “cônjuge” – eta palavra indecorosa e antipática, tão familiar nos meios jurídicos.

Sempre impliquei com determinadas palavras e uma delas – orgulho – é extremamente pedante para mim além de pesada e irreal. A rigor, se cada um pode sentir orgulho do que é ou do que faz, torna-se um detalhe pessoal de avaliação e não creio que se possa sentir orgulho de si próprio por ser bom profissional ou por ser honesto, já que tais detalhes não podem ser vistos como tal mas como um dever, mesmo que possam ser raras e nem por isto, serem qualidades.

Se bem que, em casos especiais, muitos sintam “orgulho” de terceiros, como de seu time, a mãe por seu filho ou um filho por seu pai, mas são casos esporádicos e diferentes e por isto friso, embora tais orgulhos sejam mais emocionais que de valores intrínsecos – e em tudo, sempre há exceções. Outro detalhe desta palavra é que – como estou sempre a procurar rimas para meus sonetos – só as encontro pejorativas como “embrulho, bagulho, entulho e gorgulho (caruncho)” – cruzes!

Assim, vejo como palavra bastante pesada, esnobe e arrogante pela sua estrutura fonética. Além dela ser auto imputável de uma qualidade que cada um se acha no direito de usufruir mesmo sem saber efetivamente seu significado como nos esclarece o dicionário: “conceito elevado que faz de si mesmo; amor-próprio exagerado; soberba.”. Mas se a substituirmos por outra – honra – mais apropriada por ser: “sentimento do dever ou de dignidade própria; consideração ou homenagem à virtude; ao talento  ou às boas qualidades”. Portanto, bem mais apropriada para quem sente “orgulho” de suas qualidades quando, na realidade, deveria “honrar” tais detalhes. Mas aí embarramos em outra palavra “imoral”, para ruborizar muita gente. Aliás, “honra” é uma das poucas palavras que não possui rima – é muito especial e rara.

Obviamente, tais detalhes são avaliações minhas, já que não sou psicólogo, filósofo nem filólogo, mas sou um observador do comportamento das pessoas e detalhes da vida de um modo geral. E da “verdade ao orgulho” sinto vibrações negativas, preferindo mesmo fazer ligação entre “verdade e honra”, palavras tão repudiadas por muitos.

jrobertogullino@gmail.com







 

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